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actividades > biblioteca

José Régio - mostra bibliográfica
17 de Setembro 1901~2013




 

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor português que viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967). Foi possivelmente o único escritor em língua portuguesa a dominar com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, jornalista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e director da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande coleccionador de arte sacra e popular. Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira.

Foi em Vila do Conde que José Régio nasceu no seio de uma família da burguesia provincial, filho de ourives, e aí viveu até acabar o quinto ano do liceu. Ainda jovem publicou na sua terra-natal os primeiros poemas nos jornais O Democrático e República. Depois de uma breve e infeliz passagem por um internato do Porto (que serviu de matéria romanesca para Uma gota de sangue), aos dezoito anos foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica (1925) com a tese As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa. Esta tese na época não teve muito sucesso, uma vez que valorizava poetas quase desconhecidos na altura, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro; mas, em 1941, foi publicada com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa.

Em 1927, com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, fundou a revista Presença, que veio a ser publicada, irregularmente, durante treze anos. Esta revista veio a marcar o segundo modernismo português, que teve como principal impulsionador e ideólogo José Régio. Este também escreveu em jornais como Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. Ainda na área da imprensa, colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas: Contemporânea (1915-1926), Altura(1945), Principio(1930) e Sudoeste(1935). Foi neste mesmo ano que José Régio começou a leccionar Português e Francês num liceu no Porto, até 1928, e a partir desse ano em Portalegre, onde esteve quase quarenta anos. Durante esse tempo, reuniu uma extensa e preciosa colecção de antiguidades e de arte sacra alentejanas que vendeu à Câmara Municipal de Portalegre, com a condição de esta comprar também o prédio da pensão onde vivera e de a transformar em casa-museu. Em 1966, Régio reformou-se e voltou para a sua casa natal em Vila do Conde, continuando a escrever. Fumador inveterado, veio a morrer em 1969, vítima de ataque cardíaco. Nunca se casou, mas não era celibatário, como demonstra o seu poema Soneto de Amor.

Como escritor, José Régio é considerado um dos grandes criadores da moderna literatura portuguesa. Reflectiu em toda a sua obra problemas relativos ao conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade. Usando sempre um tom psicologista e misticista, analisando a problemática da solidão e das relações humanas ao mesmo tempo que levava a cabo uma dolorosa auto-análise, alicerçou a sua poderosa arte poética na tríplice vertente da autobiografia, do individualismo e do psicologismo. Seguindo os gostos do irmão, Júlio Saul Dias, expressou também o seu talento para as artes plásticas ilustrando os seus livros.

Régio teve durante a sua vida uma participação activa na vida pública, mantendo-se fiel aos seus ideais socialistas, apesar do regime conservador de então, mas sem condescender igualmente com a arte panfletária. Recebeu em 1966, o Prémio Diário de Notícias e em 1970 o Prémio Nacional da Poesia. Hoje em dia as suas casas em Vila do Conde e em Portalegre são casas-museu.

SELECÇÃO BIBLIOGRÁFICA

Do escritor

  • Benilde ou a virgem-mãe: drama em três actos. Porto: Brasília Editora, 1983.
  • Biografia: poesia. Porto: Brasília Editora, 1978.
  • Colheita da tarde: inéditos e dispersos: poesia. Porto: Brasília Editora, 1984.
  • Confissão dum homem religioso. Lisboa: IN-CM, 2001. ISBN: 972-27-1091-5.
  • Contos e novelas. Lisboa: IN-CM, 2000. ISBN: 972-27-1022-2.
  • Contos. Mem Martins: Publicações Europa-América, [s.d.].
  • El-Rei Sebastião: poema espectacular em três actos. Porto: Brasília Editora, 1978.
  • (As) encruzilhadas de Deus: poema: poesia. Porto: Brasília Editora, 1981.
  • Fado: poesia. Porto: Brasília Editora, 1971.
  • Filho do homem: versos: poesia. Porto: Brasília Editora, 1983.
  • Há mais mundos: contos. Porto: Brasília Editora, 1973.
  • Histórias de mulheres: conto e novela. Porto: Brasília Editora, 1986.
  • Jogo da cabra cega: romance. Porto: Brasília Editora, 1982.
  • Mas Deus é grande: líricas: poesia. Porto: Brasília Editora, 1981.
  • Música ligeira: poesia. Porto: Brasília Editora, 1985.
  • Páginas de doutrina e crítica da “Presença”: ensaio. Porto: Brasília Editora, 1977.
  • Pequena história da moderna poesia portuguesa. Porto: Brasília Editora, 1974.
  • (O) príncipe com orelhas de burro: romance. Porto: Brasília Editora, 1986.
  • (A) salvação do mundo: tragicomédia em três actos. Porto: Brasília Editora, 1984.
  • Sonho duma véspera de exame. Vila do Conde: Câmara Municipal. Casa de José Régio, [s.d.].
  • Três ensaios sobre arte: em torno da expressão artística: a expressão e o expresso: vistas sobre o teatro. Porto: Brasília Editora, 1980.
  • (A) velha casa: romance. Porto: Brasília Editora, 1972. (volume 1 a 5).
  • Vidas são vidas: romance. Porto: Brasília Editora, 1985.

Sobre o escritor

  • CABRAL, Eunice – A ilusão amorosa na ficção de José Régio. Lisboa: Editorial Vega, 1998. ISBN: 972-699-595-7.
  • CARDOSO, A. Marques – In memoriam de José Régio. Porto: Brasília Editora, 1970.
  • CASTRO, Laura – Viajar com… José Régio. Edições Caixotim, 2003. ISBN: 972-8651-35-X.
  • Ensaios críticos sobre José Régio. Porto: Edições ASA, 1994. ISBN: 972-41-1093-1.
  • FARIA, Duarte – Metamorfoses do fantástico na obra de José Régio. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian: Centro Cultural Português, 1977.
  • GALHOZ, Maria Aliete – Catorze ensaios sobre José Régio seguidos de uma bibliografia essencial. Lisboa: Edições Cosmos, 1996.
  • LISBOA, Eugénio – José Régio ou a confissão relutante: estudo crítico-biográfico e antológico. Lisboa: Edições Rolim, 1988.
  • LISBOA, Eugénio – José Régio: uma literatura viva. Lisboa: Instituto de Cultura Portuguesa, 1978.
  • LISBOA, Eugénio – José Régio: nota bio-bibliográfica, exame crítico e bibliografia. Porto: Livraria Tavares Martins, 1957.
  • NEVES, Joaquim Pacheco – Evocação de José Régio: doença e morte. [s.l.]: Edições Ser, 1978.
  • NOVAIS, Isabel Cadete – José Régio: itinerário fotobiográfico. Lisboa: IN-CM, 2002. ISBN: 972-27-1133-4.
  • NOVAIS, Isabel Cadete (organização) – Não vou por aí! Vila Nova de Famalicão: Quasí Edições, 2001. ISBN: 972-98506-8-2.
  • PILOTO, Adelina; SANTOS, A. Monteiro dos – José Régio correspondência familiar: cartas a seu irmão Apolinário. Vila do Conde: Edição de Autor, 2001.
  • POPPE, Manuel – José Régio e a vocação da sinceridade. Vila do Conde: Círculo Católico de Operários, 1999.
  • SIMÕES, João Gaspar – José Régio e a história do movimento da “Presença”: autobiografia. Porto: Brasília Editora, 1977.

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De 3 a 30 de Setembro

Na Biblioteca Municipal

Ver também:

      •     Centro de Estudos Regianos  

      •     Galeria de imagens  

      •     José Régio - Casas d.escritas  

      •     José Régio - Cronologia abreviada  




 
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